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25 abril 2011

Análise da música de “EU TE BUSCO”



Eu te busco, te procuro ó Deus
No silêncio tu estás

Eu te busco, toda hora espero em Ti, revela-Te a mim
Conhecer-Te eu quero mais

Senhor, te quero
Quero ouvir Tua voz
Senhor te quero mais


Quero tocar-Te
Tua face eu quero ver
Senhor te quero mais

Prosseguindo para o alvo eu vou
A coroa conquistar
Vou lutando, nada pode me impedir, eu vou Te seguir
Conhecer-Te eu quero mais



Esta é uma versão da música “In the secret”, de Andy Park. Para ser justo, não encontrei maiores dificuldades em sua forma original. A sua versão em português é que está corrompida. Os dois aspectos da versão em português que me aterei nesta análise não estão comprometendo a música em sua forma original: 1. In the stillness, You are there, teve sua versão em português: no silêncio tu estás. Uma tradução literal seria: “na quietude, tu estás”. Creio que Andy Park estava pensando em Mateus 6.6 quando escreveu essa frase em inglês. Mas a versão em português, combinada com outras frases comprometeu a letra, conforme análise abaixo. 2. I am reaching for the highest goal, That I might receive the prize, pode ser traduzido livremente: “Estou comprometido (prossigo) em alcançar o alvo maior, onde receberei o prêmio”. No entanto a versão em português compromete isto ao afirmar que eu estou lutando para conquistar (e não receber) a coroa.



Dito isto, comecemos a análise destacando um ponto positivo. O tema da busca pelo Senhor é bíblico e se encaixa perfeitamente com a exortação de que todo crente deve procurar viver constantemente em santidade: Filipenses 2:12 – Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor. Esse desenvolvimento da salvação a que Paulo se refere é a santificação. Uma vez salvo, o crente deve se envolver na batalha da fé subjugando suas vontades e desejos a quem o salvou, despindo-se do velho homem e olhando firmemente para o autor e consumador da fé (Hb. 12:12). Não há como buscar santificação sem se lançar ao conhecimento de Deus. Passemos agora a considerações problemáticas:



I. DEUS ESTÁ EM SILÊNCIO?


A frase “no silêncio tu estás”, poderia tentar expressar uma dessas duas realidades:


· Um sentimento do autor em relação a Deus. Há salmos em que o autor se refere a Deus assim: Salmo 35:23 – Acorda e desperta para me fazeres justiça, para a minha causa, Deus meu e Senhor meu. Lógico que o salmista sabia que o Senhor não dorme e nem está distraído. Mas essa era a sua forma de clamar ao Senhor por socorro. Esse era seu sentimento em relação à ação divina que parecia tardia. No entanto, ele termina o salmo com expressões de louvor a Deus, porque sua vida não está ao sabor de sentimentos, mas de convicções sobre o caráter do seu Deus.


· Um desejo de estar sozinho e em solidão para buscar a Deus. Há muitos ruídos ao nosso redor (inclusive em nosso coração) que tendem a atrapalhar nossa comunhão com Deus. Por vezes tenho que dizer ao meu coração: “Volta, minha alma, ao teu sossego” (Salmo 116.7a). Ou como Jeremias: Lamentações 3:26 – Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. Isto é um desafio para nós, principalmente nestes dias de inquietude e ansiedade.



No entanto, observemos essa frase à luz de seu contexto (combinada com outros termos):



Eu te busco, te procuro ó Deus
No silêncio tu estás

Eu te busco, toda hora espero em Ti, revela-Te a mim
Conhecer-Te eu quero mais

Senhor, te quero
Quero ouvir Tua voz


Deus está no silêncio tão profundo que é preciso clamar para ele se revele aos seus servos? Ou no silêncio tão intenso que não se ouve mais a sua voz? Bom, alguns podem achar que estou sendo radical aqui, mas é preciso de fato ir à raiz da teologia bíblica e perceber que há erros graves.



1. Mesmo após a queda do homem, o Senhor não permaneceu em silêncio. Pelo contrário, foi em busca do homem e lhe fez conhecer o que podemos chamar de “proto-evangelho”: Genesis 3:15 – Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.



2. Toda a criação testemunha que Deus não está no silêncio. Salmo 19:1 – Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Paulo usa da criação para destacar que Deus não está no silêncio: Atos 17:26-27 – de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; 27 para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós. Deus sempre esteve se revelando à humanidade, mesmo que por meio de sua “revelação geral”.



3. Jesus Cristo é a revelação do Pai. Moisés, que chegou tão perto, jamais viu a Deus: Êxodo 33:20 – E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá. O evangelista João é categórico: João 6:46 – Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto. Mas há uma revelação maravilhosa do Pai: Jesus: João 1:18 – Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. Jesus é a “exegese” exata do Pai. Como podemos dizer : “tua face eu quero ver” diante de versículos tão claros como estes? Ou ainda pedir para ele se revelar a mim, uma vez que Cristo é esta revelação do Pai?



Se ainda não está claro, observe Hebreus 1:1-3 – Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Neste versículo há uma síntese do que já afirmamos acerca do “silêncio” de Deus: Ele FALOU muitas vezes, de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas e agora pelo Filho! Nosso Deus está longe de estar no silêncio.



4. As Escrituras compreendem a revelação máxima de Deus. 2 Timóteo 3:16 – Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça. A Bíblia foi soprada da parte de Deus como sua suprema revelação. Ela é a nossa base de julgamento para todas as coisas, inclusive para supostas “revelações” diretas.



Não se pode cantar uma música que está em contradição com o Deus que fala e se releva constantemente, conforme alguns dos textos que vimos. Mas há outro erro grasso na música:



2. A COROA CONQUISTAR?



Prosseguindo para o alvo eu vou
A coroa conquistar
Vou lutando, nada pode me impedir, eu vou Te seguir




O autor da letra original (em inglês) deveria estar pensando em Filipenses 3:12b e 14 para compor o primeiro verso dessa estrofe, principalmente o v.14 – mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. 14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Mas o autor da versão em português se desviou do sentido bíblico. Paulo não está falando de uma conquista que ele obterá por seu esforço. Ele está falando de objetividade de vida. A ênfase não está na conquista, mas em se prosseguir para o alvo, em contraste com os que se atém à vida deste mundo, conforme o contexto: Filipenses 3:19 – O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Paulo está prosseguindo para, no fim, conquistar aquilo que foi dado a ele por meio de Cristo: o prêmio.



Entretanto, o problema maior está na “conquista da coroa”. Da maneira como essa estrofe foi composta, Paulo está prosseguindo para conquistar a coroa. Alguém que tem conhecimento das Escrituras pode até entender o que o autor da versão está querendo dizer, mas num mundo onde o humanismo tem renascido, onde a soberania de Deus tem sido banida e onde o arminianismo tem sido a corrente teológica dominante, chega-se facilmente à conclusão que essa conquista dependerá de meus esforços!



Quando as Escrituras mencionam uma “coroa” como sinônimo de prêmio final de salvação, fazem-na de maneira passiva, ou seja, mostrando o homem a recebendo e não a conquistando. Observe os textos abaixo, de autores diferentes:


· 2 Timóteo 4:8 – Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.


· Tiago 1:12 – Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.


· 1 Pedro 5:4 – Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.



Concluindo...



1. Na primeira parte da música o autor afirma que Deus está no silêncio e que ele deseja que ele se revele e diz ainda querer ouvir sua voz. Ora, como afirmamos várias vezes, Deus já tem sua voz revelada de maneira objetiva por meio da Palavra. Cantar isto é, no mínimo, um descuido teológico.



2. Talvez o autor da versão portuguesa veja no “silêncio de Deus” um desejo por uma “revelação divina direta” (extática). Infelizmente isto é muito mais comum do que se imagina. Certa ocasião, meu pai (que também é pastor) admoestou um rapaz que batia a cabeça contra a parede e gritava: “Fala comigo, Senhor! Fala comigo!”. Incomodado, chegou até aquele jovem e disse: “Meu filho, leia as Escrituras. Deus falará com você!”. Deus não está no silêncio.



3. Quanto à questão da conquista da coroa, é lógico que ela não é conquistada, mas recebida das mãos daquele que a conquistou para nós. Cabe-nos prosseguir e lutar almejando recebê-la.



Ainda vejo outras dificuldades na letra, mas creio que as que foram analisadas aqui já são suficientes para afirmar que este cântico deve ser evitado. Não há como conciliar a mensagem que está sendo pregada através dele com o texto das Escrituras. Devemos cantar músicas que expressam uma teologia clara em seu conteúdo e que estejam em estreita conexão com sã doutrina. Talvez uma nova versão em português possa corrigir os erros que foram analisados.



No temor do Senhor,


Heleno Montenegro Filho

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19 abril 2011

A Música e a Graça Comum


Um dia desses um dos leitores do Blog me pediu para escrever um artigo sobre a relação da música com a doutrina da graça comum. Achei muito interessante a sugestão, até porque as duas coisas são absolutamente compatíveis. Não dá para falar sobre música sem os pressupostos da doutrina da graça comum. Antes, porém, deixe-me falar um pouco sobre a doutrina para então analisarmos a música sob o seu prisma.

A Doutrina da Graça Comum
            A graça de Deus ou seu favor imerecido, também definida por Gotthold Lessing, filósofo e dramaturgo alemão do século XVIII, como “beleza em movimento”, porque a graça expressa a beleza da bondade de Deus em ação na direção e em benefício do pecador, possui duas faces fundamentais. Ela pode ser tanto a graça especial, porque é destinada a muitos, mas não todos, sem exceção, ou a graça comum, que é destinada a todas as pessoas, sem exceção. No caso da graça especial, ela é salvadora; a graça comum ou graça geral não é salvadora.
            A graça comum se revela na Escritura de duas maneiras distintas: positiva e negativamente. De maneira negativa, a graça comum é a responsável pela restrição ao pecado dos homens. Em Gênesis 3, por exemplo, Deus diz que o seu Espírito não agiria para sempre no homem, porque ele é carnal. Essa ação do Espírito é restringente ao pecado. A prova disso é o fato da maldade piorar depois dessa afirmação divina (cf. Gn 6.11). Outra passagem que demonstra essa restrição ao pecado como ação negativa da graça comum de Deus é a passagem de 2 Timóteo 2.6, que fala de algo que detém a manifestação do homem da iniqüidade. Eu creio, à luz de Gênesis 6, que o que detém a manifestação do homem da iniqüidade é o Espírito Santo.
            A ação positiva da graça comum é que está mais ligada ao assunto “música”. Deus, ao mesmo tempo que faz com a chuva caia sobre justos e injustos indistintamente (Mt 5.45), também habilita o homem a produzir coisas boas, como fruto de sua graça comum (Mt 7.11). A graça comum de Deus é a responsável pelas obras de arte belíssimas do ser humano em geral, inclusive a música e a poesia. A Bíblia diz que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17).

O Reflexo da Doutrina na Música e na Prática
            Então podemos afirmar, com toda segurança, que o belo poema de Fernando Brant e Milton Nascimento, a saber, Canção da América, é fruto da graça de Deus sobre a vida deles; não a graça especial, mas a graça comum positiva. Sem dúvida, também a impressionante canção de Flávio Venturini, Vermelho e Márcio Borges, Planeta Sonho, nos faz pensar sobre a realidade de que a Nova Terra será o que não sabemos exatamente, mas será “bem melhor que a canção mais bonita que alguém lembrar”.
Talvez o caro leitor esteja pensando: “por que quebrei todos os meus CDs de música popular quando me converti ao evangelho de Cristo?” Lamento, mas nada disso seria necessário. Na Bíblia vemos exemplos de pessoas que não jogaram fora todo o patrimônio cultural que possuíam antes da conversão, mas antes usaram seu conhecimento de fontes não cristãs para evangelizar. É o caso de Paulo, que discursou no Areópago citando pensadores não cristãos, mas que disseram o que era verdade. Se era verdade, então era de Deus e deveria ser usado para a sua glória (cf Tt 1.12). A graça comum nos municia com armas poderosas para convencer os incrédulos acerca da verdade da Palavra de Deus, estabelecendo pontos de contato.
            Concluindo, não rejeite simplesmente qualquer obra literária ou musical só porque não foi escrita por um cristão. Lembre-se de que a graça comum habilita o homem à produção de boas obras. A referência deve ser sempre a Bíblia. Ela deve ser nossa lente que nos faz enxergar a glória de Deus por trás das coisas boas que os homens fazem ou a incoerência e a inverdade naquilo em que mentem e escarnecem. O padrão seguro não é a confessionalidade de um artista, mas a Palavra de Deus. Poderá muito bem ocorrer de um confessor produzir uma obra musical pérfida e mentirosa. Talvez seja por isso que muitos andam seguindo a falsos profetas. Porque aceitam o que dizem só porque se dizem cristãos, quando na verdade não passam de sofistas falsários.

Pr. Charles

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08 abril 2011

07 de Abril de 2011 - Dia Nacional do Pranto



“Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4).

Temos razões suficientes para dizer que dia 07 de abril foi o Dia Nacional do Pranto. Um rapaz sem antecedentes criminais entrou numa escola e, identificando-se como um palestrante, entrou numa sala e começou a atirar nos alunos. De acordo com relatos de testemunhas, ele chegou a enfileirar alunos na parede e atirava para ceifar as vidas, principalmente das meninas. O país inteiro chorou a morte trágica de crianças e adolescentes inocentes vitimados por um coração corrupto e cheio de egoísmo.
O dia começou com pranto. Pranto dos alunos e alunas que viram colegas de turma ser assassinados a sangue frio. Pranto dos professores que nada puderam fazer diante do ódio atroz, a não ser fechar as portas e empilhar móveis para obstacular o agressor. O pranto também foi visto nos olhos tristes de mães desesperadas procurando notícias dos filhos e filhas. O pranto marcou o dia dos vizinhos que fizeram o que puderam para ajudar as dezenas de crianças feridas, algumas gravemente. O pranto envolveu até mesmo os profissionais da saúde que testemunharam a vida de algumas crianças escoar entre os dedos, sem que nada mais pudesse ser feito.
Esse triste ocorrido deve nos levar a pensar em muitas coisas. Dependemos tão somente de Deus. Um assassino inescrupuloso poderia entrar em qualquer ambiente público e fazer a mesma coisa. Qualquer um de nós é vítima em potencial. A Palavra diz que “somos entregues à morte o dia todo” (Rm 8.36). Não confiemos nos homens; somente em Deus devemos depositar nossa confiança e temor. A maldade está recrudescendo. À medida que nos aproximarmos da volta de Cristo, os homens serão cada vez mais exercitados na maldade e no pecado. Paulo faz uma descrição impressionante da corrupção dos homens nos últimos dias em 2 Timóteo 3. Coisas que jamais imaginávamos que ouviríamos estão acontecendo todos os dias. Precisamos arrumar a casa. Será que estamos preparados para sofrer se necessário for? Se você mantiver comunhão com o Senhor, certamente conseguirá suportar qualquer situação difícil. Será que estamos preparados para a volta de Cristo que é iminente? Não seja surpreendido pela volta de Cristo envolvido com o pecado. Santifique-se, para que, na volta de Cristo, você não tente se esconder, mas parta ao seu encontro com santa confiança e profunda alegria (1Jo 2.28).
            Voltando ao triste acontecimento no Rio de Janeiro, pelo menos o pranto foi aliviado pelo vigoroso testemunho de uma menina que reconheceu ali a providência divina em sua vida. Depois de pensar o tempo todo: “morri” e “agora eu vou morrer”, “por que eu tenho que morrer tão nova?”, após a morte do agressor, prorrompeu em gratidão: “Senhor Deus, eu te amo e te agradeço por me salvar”. Quanto às famílias enlutadas, resta-nos apenas orar ao Pai e pedir que estanque o pranto que ainda derramam. Que creiam em Jesus, para que desfrutem da promessa bíblica de que ele enxugará dos nossos olhos toda lágrima (Ap 21.4).

Pr. Charles

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06 abril 2011

“É n’Ele” – Letra e Música de Stênio Marcius

É nEle que nos movemos
Vivemos e existimos
É nEle, é nEle
Se amo, falo, choro ou canto
É nEle que tudo acontece
É nEle, é nEle
Batidas do meu coração
Dependem desse Maestro
E até o ar que eu respiro
É Ele mesmo quem me dá
Em volta da mesa com os meus
Celebro com vinho a vida
É Ele quem dá gosto a tudo
Com Ele a alegria sempre está



É nEle que eu descanso
Pois sei em Quem tenho crido
É nEle, é nEle
Fui salvo por Sua Graça
Eu trago comigo esta glória
É nEle, é nEle


Arrasto por onde vou
Correntes de amor eterno
E grito ao universo inteiro
Quem dEle vai me separar?
Silêncio na terra e no mar
Silêncio nos mundos distantes
Pois nada me arranca dos braços
D'Aquele que me amou primeiro



Mais uma composição primorosa do amado Stênio Marcius, registrada em seu mais recente CD “Beleza do Rei” (ouça um trecho da música acima, de outras do CD e compre aqui). Ela vai de encontro às “teologias humanistas” que têm atacado a igreja nestes dias, onde as palavras de ordem e decretos têm sido chamadas de verdadeiras expressões de fé, onde as pessoas são iludidas em achar que sua oração é que move a mão de Deus. Tempos onde a salvação é conquistada e as bênçãos são conseguidas por esforço. Onde a graça tem sido confundida com permissão para pecar. Dias em que até o poder do Soberano Senhor e seus atributos têm sido subestimados. Trata-se de uma letra com sólido fundamento bíblico e riquezas melódica e harmônica, na simplicidade de violões e flauta. O CD é arranjado pelo primoroso Silvestre Kuhlmann, exceto a música destacada aqui "É n'Ele", assinada por Diego Venancio.



A idéia da canção é baseada num trecho do conhecido discurso de Paulo em Atenas: Atos 17:28 - pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração. Esse texto inspirado foi composto a partir de duas citações de poetas gregos. Do primeiro, Epimênides (600 a.C.), Paulo usa a parte final do poema que descreve o discurso que Minos, filho de Zeus, fez em sua homenagem, na ocasião de sua morte: “em ti nós vivemos e nos movemos e temos nosso ser”. Do segundo, faz uso de uma pequena parte e uma poesia de Arato de Soles (315–240 a.C.), da Cilícia, na Ásia Menor, intitulada Phainomena, escrita em homenagem a Zeus: “...porque na verdade somos sua descendência”.*



Claro que Paulo conhecia o contexto dessas frases e sabia que ambas exaltavam a Zeus. Mas pinçando-as e alocando-as no contexto de sua pregação no Areópago, Paulo dava uma “tapa com luvas de pelica” em seus ouvintes. Ele estava consolidando o que já vinha tratando nos versículos anteriores acerca do poder do Deus verdadeiro que criou e sustenta a vida, demonstrando que os poetas estavam certos em suas colocações, mas equivocados quanto ao verdadeiro agente propulsor de todas as coisas e que do nada gerou a vida.



É interessante refletir um pouco sobre a estratégia de Paulo com o uso dessas citações em Atos 17.28: 1. Estava “antenado” com a cultura de seu tempo; 2. Mostrou-se sensível e compadecido com aquele povo, cuja idolatria expressava a aflição de cegos em busca de Deus; 3. Reconheceu que a verdade de Deus está presente em toda a sua criação e por isto não viu dificuldade em usar citações de poetas pagãos como auxílio na exposição do evangelho; 4. Abriu mão de uma citação direta do Antigo Testamento, visando alcançar e manter a atenção de seus ouvintes; 5. Ao fazer citações de poetas conhecidos de sua audiência, Paulo não os relaciona a Zeus, mas ao “Deus desconhecido”, que ainda estava oculto para eles. Quando se usa elementos da cultura para uma “ponte” à evangelização, deve-se ter o mesmo cuidado de Paulo, conforme demonstrado neste último item.



Em sua pregação, Paulo destacou que nada o homem pode fazer a não ser que Deus o faça. O que somos e fazemos, dependem dele! Pobre do homem que acha que pode algo. Coitado daquele que não tem mais fé que é Deus que move e sustenta tudo o que há. Desgraçado daquele que pensa que Deus está limitado aos seus fracos limites.



Stênio Marcius desenvolveu Atos 17.28 em sua música com brilhantismo e genialidade, demonstrando as implicações de viver, existir e nos mover Nele, que rege as batidas do meu coração, tal qual um maestro que sabe quando a música começa, quando terminará, seu tom e toda sua dinâmica (Salmo 139.16); que me dá o ar para respirar e a alegria para festejar com meus amigos (Salmo 4.7); que é poderoso para sustentar a minha salvação, já que veio por sua graça e nada poderá me arrancar das mãos daquele que me amou primeiro (Efésios 2.8; Romanos 8.35-39; João 10.29; 1 João 4.19). Nele, além de, viver, mover e existir, posso encontrar descanso na plenitude de seu poder (Salmo 91.1).



Precisamos nos cercar de músicas que tratem com essa seriedade a riqueza das Escrituras e que explorem sua profundidade com compromisso. O Stênio tem sido um desses homens que Deus tem comissionado a, nesse espírito, levar a sua Palavra em forma de canção. Que Deus lhe conceda tantas outras mensagens cantadas.



Heleno Filho


* Informações baseadas no Comentário de Atos, do Dr. Simon Kistemaker.

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04 abril 2011

JOSÉ ALENCAR – Brevíssimas reflexões sobre a vida e a morte

Após ser perguntado sobre o panorama político da semana, um repórter da “Globo News” afirmou não haver muito o que se dizer, já que naquela semana todo o acontecimento político ficou ofuscado pela morte do ex-vice-Presidente da República José Alencar. Quem foi esse homem que conseguiu tamanha atenção da mídia e da população? É comum que os “vice-alguma-coisa” passem despercebidos nas gestões. José Alencar tinha tudo para ser mais um desses, principalmente por haver sido vice de um presidente com características populistas. Entretanto, resolveu entrelaçar a vida política e a memória da nação brasileira com a de sua história.



Quero compartilhar algumas brevíssimas reflexões acerca do que ouvi e li desse homem nascido em 1931 no Distrito de Itamuri, a 17 km da cidade de Muriaé, no interior de Minas Gerais, que se tornou vice-presidente da República em 2003 e que se tornou um dos maiores industriais do ramo têxtil do país.



1. Refleti um pouco mais sobre a lealdade


Na ocasião do “mensalão”, o maior escândalo do governo Lula, perguntaram a José Alencar se ele estaria pronto para assumir a vice-presidência, caso o presidente Lula sofresse um impeachment. Ele respondeu que ele havia “entrado” na presidência com o Lula e sairia de lá com ele. Afirmou noutra ocasião: “Tenho consciência de que só sou vice-presidente graças a Lula. As pessoas não votam no vice, votam no candidato a presidente.”



O fato acima foi descrito por um repórter que o ouviu numa conversa durante as homenagens fúnebres de José Alencar, em Brasília. Não sei se Alencar não sabia de nada ou se era conivente com o erro de Lula e seus comparsas, mas nesse jogo político seria comum que um vice torcesse pela queda do chefe da nação para que ele assumisse seu lugar. É surpreendente saber que esse mineiro tenha tido uma atitude dessas num ambiente político.



2. Refleti um pouco mais sobre respeito ao próximo


Todos lembram que José Alencar foi vaiado numa conferência do PT. Diante das vaias ele disse que respeitaria a liberdade que eles tinham de fazer aquela manifestação, já que estavam numa democracia. Após isto, as palmas se elevaram e encobriram as vaias.



Posso imaginar a frustração daqueles manifestantes. Dizendo o que disse, deixou claro que eles (os manifestantes) o estavam privando da liberdade de se expressar, e que ele jamais se igualaria a eles. Ensinou ainda a grandeza de se dominar tendo um microfone nas mãos, diante de moleques que se achavam no direito de lhe cercear a palavra e tentar lhe ridicularizar.



3. Refleti um pouco mais sobre não ficar em cima do muro


Diante da política de juros altos defendidos pelo presidente Lula e por toda equipe econômica do Governo, José Alencar não ficou em cima do muro, nem fugiu ao debate: “Queremos que as pessoas estejam sempre em condições de consumir e comprar o que precisam. Para isso, as taxas de juros precisam cair. O consumidor não pode ficar pagando essa taxa que paga. Isso atrapalha o desenvolvimento do país.” É possível ser leal, continuar num time, mesmo que existam pontos divergentes que não interferirão no todo do plano.



Ele não fazia essas declarações para chatear o Ministro da Fazenda, o Presidente Lula ou ainda para desestabilizar o Governo. Falava porque não tinha medo de expor sua opinião. Falava porque tinha maturidade para respeitar os que discordavam dele.



4. Refleti um pouco mais sobre a morte diante da vida


Esse homem não lutou contra um, mas contra vários cânceres. Foram mais de 18 cirurgias. Ele fez o que estava ao seu alcance para continuar vivendo, sempre com um bom humor inquietante. Nunca se rendeu ou entregou-se à doença. Sua mente ágil, jovem e perspicaz o impelia à vida. E assim ele lutou contra a morte porque tinha vontade de continuar vivo.



Quando homenageado no dia 25 de janeiro deste ano pela prefeitura de São Paulo, afirmou: “O período longo em que fiquei inativo me trouxe essa dificuldade de locomoção. Estou fazendo fisioterapia e estou melhorando. [...] Não posso me queixar, mas tenho de fazer a minha parte. Estou lutando para não morrer e estamos vencendo com a força de Deus. E seja qual for o resultado, será uma vitória nossa.”



5. Refleti um pouco mais sobre a vida diante da morte


O tema da morte esteve em todas as suas entrevistas recentes. Sempre o abordou com a serenidade e o equilíbrio de um homem que tinha certeza que já havia cumprido o que viera fazer neste mundo: “Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele.”



“Se Deus quiser me levar, ele não precisa de câncer pra isso.” Como se diz no senso comum: “para morrer, basta estar vivo”. Ninguém sabe o dia que vai morrer, por isto, “basta ao dia o seu próprio mal.” – Mateus 6.34b. E por que temer a morte? Temos que amar a vida, mas saber que a morte é algo com o qual sempre vamos nos deparar até o dia em que habitaremos eternamente com o Senhor.



6. Refleti um pouco mais sobre a soberania de Deus


Alencar deve ter deixado os teólogos do Teísmo Aberto (ou da Teologia Relacional) perplexos ao afirmar não ter dúvidas que Deus havia lhe dado o câncer. Eu o vi afirmar isto numa entrevista no “Estudio i”, programa da “Globo News”. Disse saber que Deus havia feito isto para lhe tornar mais humilde.



Sua saúde podia não ser das melhores, mas seu sensus divinatis estava funcionando bem! Ele sempre colocava Deus no comando de tudo da enfermidade que o estava consumindo, sem queixas ou lamúrias. Suas convicções eram mais bíblicas que de muito teólogo relacional por aí.



O que aconteceu com José Alencar após a morte é de competência de Deus, não minha. Espero que ele tenha ouvido o evangelho da salvação em Cristo Jesus e que tenha encontrado Nele a reconciliação com seu Criador. O que sei é que os elementos de sua vida aqui destacados estão em consonância com os princípios das Escrituras e servem de exemplo e exortação por serem expressão da verdade eterna de Deus. Como afirmou João Calvino nas Intitutas 2.2.15: "Se reconhecermos o Espírito de Deus por única fonte e manancial da verdade, não descartemos ou menosprezemos a verdade onde quer que a encontremos". Desta forma, todo destaque honroso da vida de José Alencar redundará em glória ao Senhor, por isto ser testemunha da graça comum presente no mundo.



José Alencar morreu no dia 29 de março, aos 79 anos. Suas homenagens fúnebres seguiram o protocolo das de um Chefe de Estado. Foi-se mais um homem que não passou em branco em sua geração. Fez-se real seu desejo mais profundo: “O homem honrado não morre nunca.”


Heleno Filho

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01 abril 2011

O DEUS QUE CONTINUA NO COMANDO DA HISTÓRIA - Reflexões no livro de Jó sobre algumas inquietações do Teísmo Aberto

Ultimamente, uma velha heresia, que já estava atacando a igreja do Senhor nos Estados Unidos, vem ganhando corpo no Brasil. Nuances do Teísmo Aberto já foram vistas ao longo da história, conforme excelente apanhado histórico fornecido por John Frame, no capítulo 2 do livro “Não há outro Deus”, da Cultura Cristã. No entanto, confesso que fui tomado de surpresa ao ler uma publicação no jornal Folha de Boa Vista, da cidade em que resido, com o título: “Tsumami e uma Teologia da Compaixão”autografado por Márcio Rosa, pastor da Assembléia de Deus Betesta, em Boa Vista-RR. Ele segue a mesma linha do presidente de sua organização, Ricardo Gondim, que chegou a afirmar recentemente em seu Twiter: “O deus que ‘administra’ os eventos tem propósitos insondáveis e que, pra cumpri-los, deixa tragédias acontecerem, é um demônio (sic).”



Gostaria de fazer uma breve reflexão no livro de Jó, pensando em alguns aspectos do Teísmo Aberto que têm sido ressaltados por seus adeptos. Esse livro apresenta ações de Deus na vida de um homem que recebe o reconhecimento bíblico de ser íntegro e reto. Tais ações confrontam diretamente aquilo que os divulgadores do Teísmo Aberto têm escrito.


O livro de Jó faz questão de afirmar já no início, em: Jó 1:1b – homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Mas a riqueza desse homem não estava apenas no seu caráter e no seu temor a Deus: Job 1:3 3 Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. Tratava-se de um homem rico e crente, uma combinação não muito encontrada ainda hoje. E para ficar ainda mais claro quem era Jó, ele não só era homem íntegro, temente a Deus, rico, mas um paizão que se preocupava com a vida espiritual de seus 10 filhos (sete homens e três mulheres), levantando-se de madrugada para oferecer holocaustos em favor de cada um de forma contínua e não esporádica (Jó 1.5). Seus filhos pareciam ser muito unidos e muito “família”, já que o narrador fez questão de destacar que estavam sempre juntos festejando (Jó 1.4).


Que homem de Deus! Tudo estava muito bem e não havia motivo para preocupações maiores, até que Satanás chega à presença de Deus e coloca em dúvida as motivações do coração de Jó: com tudo o que Deus havia dado para Jó, não era de se esperar outra atitude a não ser de devoção! Ou seja, não havia motivo para Deus se alegrar ou se orgulhar de toda aquela devoção, já que seria meramente interesseira, conforme insinua satanás. Diante disso, ele lança uma proposta a Deus: Jó 1:11 11 Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. Eis aqui o tema principal do livro: O temor que Jó demonstrava era meramente interesseiro, como Satanás insinuou, ou genuíno? Que o teste comece.


1. DEUS É O AGENTE DE TODO O SOFRIMENTO QUE VEM SOBRE A VIDA DE JÓ


No v. 11, Satanás sugere qual o “calcanhar de Aquiles” que deveria ser atacado por Deus: Jó 1:11 – Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. Satanás supõe que se o Senhor tocasse em seus bens, isto seria suficiente para que toda “máscara espiritual” de Jó caísse por terra.


Os adeptos do Teísmo Aberto afirmam que a natureza segue seu curso sem qualquer interferência divina, a ponto de o próprio Deus ser surpreendido por catástrofes e eventos naturais. Márcio Rosa afirma: Não, não creio que Deus determinou o terremoto e o tsunami no Japão, foi o movimento das placas tectônicas. Não estamos na Idade Média, sabemos como essas coisas acontecem”. Lógico que ele não crê nesse Deus, pois o Deus das Escrituras controla e dirige eventos naturais, tanto quanto de povos e nações. Isto não é coisa da idade média, é da Bíblia.

Os eventos que deflagraram a derrocada financeira de Jó vieram num único dia. Coincidência? Acidente? Deus foi tomado de assalto? Certamente que não. Tanto povos quanto a natureza serviriam a seu propósito, conforme narrativa de Jó 1.14-19, intercalando-se eventos onde povos são usados com os eventos onde a natureza é usada:

1. Os sabeus roubaram os bois e jumentas e mataram todos os servos;

2. Caiu fogo do céu e queimou todas as ovelhas e todos os servos;

3. Os caldeus levaram os jumentos e mataram todos os servos;

4. Um forte vento derrubou a casa e matou todos os seus filhos.


O próprio Jó reconheceu o agente que estava por trás de toda aquela tragédia que o havia acometido: Jó 1:20-21 20 Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; 21 e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! Ele não ficou questionando o Senhor sobre o porquê daquela tragédia, nem achou que todo aquele mal havia sido obra das mãos de Satanás. Sequer entrou naquelas crises que hoje estão minando a fé dos adeptos do “Teísmo Aberto”: “Deus é amor e nunca fará o mal a ninguém”. Ele simplesmente lançou seu rosto em terra e adorou o Senhor, reconhecendo que o Deus que havia enchido de bens e riqueza a sua casa era o mesmo que as estava retirando, e que era o mesmo sob cujas mãos seus filhos e servos haviam sido mortos.


Jó estava deixando claro que reconhecia que Deus era Senhor sobre os sabeus e os caldeus, e que os havia instigado a ir até seus bois e jumentos para os roubar e matar seus servos. Também reconhecia que os acontecimentos da natureza estavam sob seu comando, desde um fogo do céu até um vendaval. Nada havia acontecido por acidente, nem era fruto de forças impessoais da natureza. “O SENHOR DEU, O SENHOR TOMOU, bendito seja o nome do Senhor”.


Será que Deus tem, de fato, controle sobre os acontecimentos naturais ou isso é mera desinformação, fruto de uma teologia medieval? Deus tem poder para agir ou será que simplesmente deixa essa natureza seguir o rumo que quiser, sendo totalmente refém das famosas “leis da natureza”? A Bíblia destaca a ação de um Deus presente e ativo em sua criação, conforme se pode ler nos textos abaixo:

· Quem rega a terra? Salmo 65:9-10 – 9 Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, 10 regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção.


· Quem faz os relâmpagos e os ventos? Salmo 135:7 – Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios.


· Faz vir tanto a prosperidade quanto a fome, conforme Genesis 41:32 – O sonho de Faraó foi dúplice, porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la.



E antes que se possa sugerir que os textos dos salmos são mera poesia, num sentido de menosprezá-los, é importante saber que nenhuma figura de linguagem ou estilo literário invalida a verdade que ela está descrevendo. Fica claro que não há casualidades na natureza. Há um trono e alguém assentado nele reinando soberanamente. Jó sabia disso!



Note como ainda como Eliú, um dos amigos de Jó, descreveu o Deus soberano, que faz coisas tão grandiosas que muitas vezes são incompreensíveis para nós: Jó 37:5-7, 13 – 5 Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não compreendemos. 6 Porque ele diz à neve: Cai sobre a terra; e à chuva e ao aguaceiro: Sede fortes. 7 Assim, torna ele inativas as mãos de todos os homens, para que reconheçam as obras dele. 13 E tudo isso faz ele vir para disciplina, se convém à terra, ou para exercer a sua misericórdia. Se refletirmos acerca das tragédias naturais que acometeram a terra nos últimos dias à luz desses textos, seremos confrontados com o fato de que Deus realmente faz grandes coisas que não compreendemos; seremos também confrontados com nossa pequenez e impotência (v.7); seremos confortados em saber que Deus terá um propósito nisto, mesmo que não o vejamos imediatamente: disciplina e/ou misericórdia. Isto mesmo! Deus também pune pecadores (Romanos 1:18 – A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;). (Lógico que, para Eliú, Deus está disciplinando Jó.) Mas em meio ao caos que vemos, ele também é capaz de suscitar fé no coração dos homens que, confrontados em sua impotência, podem se voltar para o Onipotente. Uma tragédia aparente pode dar início a uma enxurrada de misericórdia divina.



Quando Satanás aparece novamente na presença do Senhor, ouve de sua parte: Jó 2:3b – Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa. (BJ - Ele persevera em sua integridade, e foi por nada que me instigaste contra ele para aniquilá-lo.). Deus estava no comando, mesmo que Jó não estivesse sabendo por que tudo aquilo estava acontecendo consigo. Deus agiu contra seu servo íntegro e sem motivo. Lógico que esse Deus é incompatível com o que é pregado pelo Teísmo Aberto. Jó não entendia, mas sua fé permanecia inabalável. Ele podia estar por fora dos motivos de Deus, mas sabia que sua vida não estava à mercê do acaso.



Agora vem a segunda parte do teste de integridade de Jó: sua carne. Não bastasse seus bens, agora a sua saúde será debelada! Jó 2:7-8 – 7 Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.


2. NEM SEMPRE O SOFRIMENTO VEM COMO PUNIÇÃO OU CONSEQUÊNCIA DE PECADO

O drama presente em todo o livro não é acerca de QUEM CAUSOU O SOFRIMENTO DE JÓ, mas POR QUE JÓ ESTÁ SOFRENDO?


Como já afirmei, Jó desconhecia o motivo que levara Deus a fazer o que estava fazendo com ele. Alguns “crentes” modernos poderiam atribuir tudo aquilo diretamente à ação do maligno ou a algum tipo de maldição hereditária. Mas o crente Jó tinha convicção de que sua vida estava nas mãos de Deus e que só ele dispunha do controle total sobre ela: Leia estes textos:


· Jó 2:10 – temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?


· Jó 6:4 Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim cravadas, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.


· Jó 9:24 A terra está entregue nas mãos dos perversos; e Deus ainda cobre o rosto dos juízes dela; se não é ele o causador disso, quem é, logo?


· Jó 13:21 alivia a tua mão de sobre mim, e não me espante o teu terror.


· Jó 16:7 – Na verdade, as minhas forças estão exaustas; tu, ó Deus, destruíste a minha família toda.


· Jó 19:21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu.



Jó 16.7 é chocante, mas não podemos ignorar que Jó está declarando isso por sua convicção da soberania divina. Os convictos do Teísmo Aberto creem num deus que seria incapaz de fazer o que Jó afirmou que ele fez, pois isso os confrontaria com o atributo divino que destacam: o amor, mesmo que sua interpretação desse amor seja equivocada. Lógico que Deus é amor, mas ele age amorosamente conectado com seus planos, que muitas vezes estão ocultos à vida de quem ele ama. Jó, conquanto esteja sofrendo e lamentando por tudo aquilo, mantém seu coração íntegro mesmo em meio à dor, sabendo que há mistérios divinos maiores que sua compreensão.



Os amigos de Jó pensavam que todo aquele sofrimento o estava abatendo por causa de um pecado que havia cometido: Jó 4:7-8 – Lembra-te: acaso, já pereceu algum inocente? E onde foram os retos destruídos? 8 Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniqüidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam. Jó 5:17 – Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso.



Mas todo o sofrimento que Deus estava provocando em Jó nada tinha a ver com punição por pecado ou disciplina, nem como consequência de um ato iníquo que Jó houvesse cometido.



3. DEUS EXPÕE AS LIMITAÇÕES DO ENTENDIMENTO HUMANO E MOSTRA SEU AMOR E MISERICÓRDIA



Deus foi ao encontro de Jó de maneira contundente após seus inúmeros questionamentos: Jó 38:2-4 2 Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? 3 Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. 4 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Em outras palavras: recolha-se às limitações de seu entendimento humano, Jó! Eu é que sou o todo poderoso e que tenho a visão exata do que estou fazendo.



O Teísmo Aberto é uma tentativa de humanizar a teologia, diminuindo Deus às categorias humanas. Seus fundamentos bíblicos não se sustentam porque existem muitos textos bíblicos que destacam o senhorio de Deus sobre tudo e todos, sua ação soberana na história e na condução de todas as coisas, mesmo que por caminhos ocultos ao homem. Basta ler a história de José, e a conclusão à que ele chega sobre a ação de Deus na sua história e na história da humanidade: Gênesis 45:5 – 5 Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Gênesis 50:20 20 Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. José não vê a ação de Deus na sua história apenas no epílogo. Quando é chamado para interpretar o sonho de Faraó, diz: Genesis 41:16 – Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó. Deus é quem conhece o que acontecerá no futuro e conduzirá durante os sete anos de fartura e sete anos de escassez. É Deus que conduz e prepara o caminho.



No final do livro, Jó faz uma declaração maravilhosa de fé. Jó 42:2-3 – 2 Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. 3 Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Ele está convencido de que Deus tem sempre um plano e que esse jamais será frustrado. Dizendo isso ele reconhece que Deus não deixa nenhuma margem de que seus desígnios possam ser de alguma forma frustrados. Também reconhece suas limitações humanas que estão longe da onisciência divina. Não podemos julgar tudo meramente sob a ótica humana, frágil e limitada. De acordo com o Dr. Daniel Santos Jr., doutor em Antigo Testamento e professor do Centro de Pós-Graduação da Igreja Presbiteriana do Brasil “Andrew Jumper”, “‘Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos podem ser frustrados’ deve ser literalmente entendido como ‘Eu sei que tu és capaz de fazer qualquer coisa, e aquilo que fazes ninguém pode adulterar o propósito original’. Com este pronunciamento, Jó estava reconhecendo que o fato de não entendermos o que Deus esta fazendo não se constitui numa razão para duvidarmos de suas intenções.”



Tem gente que vai direto a Jó 42:10 – Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra. Mas o objetivo final do Senhor não era esse, mas confirmar a Satanás que a devoção de Jó não era interesseira. Portanto, é fundamental observar o que Jó fala a Deus antes dessa restituição: Jó 42:5-6 – Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. 6 Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó não afirmou isso após uma promessa de restauração material e física. Provavelmente ele ainda estava coberto de chagas e o cenário ao redor permanecia tragicamente o mesmo. Mesmo assim ele percebe que tudo o que lhe ocorrera, o aproximara ainda mais do Senhor. Se tudo fosse surpresa, o deus do Teísmo Aberto estaria somente lamentando ao lado de Jó, perplexo ante tudo o que lhe ocorrera, e Jó estaria, no máximo, com uma companhia impotente ao seu lado.



Concluindo...

1. Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. É capaz de usar sabeus, caldeus, fogo do céu e ventos de acordo com seu propósito. O mundo não está à mercê de sua própria sorte.



2. O livro de Jó é um confronto direto com a convicção do Teísmo Aberto de que Deus não está diretamente relacionado com o sofrimento humano.



3. Lógico que há tragédias naturais que estão relacionadas diretamente ao uso irresponsável que o homem faz do meio ambiente. Um deslizamento de um morro pode ser fruto de uma ocupação indevida. Mas mesmo esses eventos não pegam Deus de surpresa e podem ser usados para salvar outras vidas. Releia a história de José (Gênesis 37 a 50) e perceba como Deus usa as irresponsabilidades e maldades humanas para cumprir o seu plano.



4. Conquanto tenha provocado tudo o que aconteceu com Jó, Deus jamais o abandonou à própria sorte, mas amorosamente conduziu tudo de acordo com um plano maravilhoso, que incluiu tanto a restauração espiritual de Jó quanto a restituição dobrada de tudo o que tinha anteriormente.



5. Mesmo que eu não entenda os caminhos de Deus, o livro de Jó me inspira a confiar no caráter do Deus Onipotente e Onisciente, cheio de amor, que é muito maior que meus pensamentos, limitações e frustrações. Como é bom descansar à sombra do Onipotente – Salmo 91.1 – e saber que não é preciso “apertar os cintos” porque o piloto sumiu.


Heleno Filho



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Teísmo Aberto: um ensaio introdutório.- Dr. Héber de Campos


"O Deus que intervém não existe" - Dr. Mauro Meister


Liberalismo e Teísmo Aberto - Dr. Augustus Nicodemus


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