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30 junho 2010

O Fim do Período de Louvor

A hinódia da igreja evangélica brasileira possui uma identidade muito interessante, tendo em vista que recebemos rico repertório advindo das incursões missionárias em nosso país.

Os pioneiros missionários estrangeiros trouxeram consigo suas músicas, com destaque para o mavioso trabalho de Sarah Pouton Kalley, esposa do pioneiro da Igreja Evangélica Congregacional, Robert Reid Kalley. O trabalho destes pioneiros começou em 1855, com sua chegada ao Brasil, mas foi somente seis anos mais tarde que Sarah Kalley compilou 50 hinos e salmos na primeira edição do "Salmos e Hinos", o qual foi utilizado pela primeira vez em 17 de novembro de 1861. Também não pode ser deixado de mencionar o trabalho de Henry Maxwell Wright, português, mas filho de ingleses, o qual auxiliou Moody em uma campanha de evangelização na Inglaterra em 1874 e 1875, com intensa contribuição musical. Wright conheceu o trabalho de Ira Sankey, o qual acompanhava Moody nos Estados Unidos, e traduziu diversos hinos para o português (por exemplo, "Louvores sem Fim" - 38 do Hinário Novo Cântico), introduzindo também em nossos rincões um repertório mais popular, os chamados "corinhos".

Uma intensa transformação foi iniciada pelo surgimento de Vencedores Por Cristo e outros grupos missionários que atuavam principalmente entre jovens, como Jovens da Verdade, Novo Alvorecer e Som Maior. A transformação se deu por meio da divulgação de cânticos populares traduzidos do inglês, como as composições de Ralph Carmichael ("Nas Estrelas", por exemplo). Porém, o divisor de águas foi mesmo o lançamento do LP (long play - o disco de vinil) "De Vento em Popa", em 1972. Este disco popularizou composições dos próprios brasileiros, como Sérgio Pimenta, Guilherme Kerr, Artur Mendes e Aristeu Jr.. Até aí, tudo normal, pois vários compositores, como o Rev. Oscar Chaves, autor de "Só o Poder de Deus" e "Eu Só Confio no Senhor", já deixavam sua contribuição. No entanto, as composições gravadas no disco de Vencedores Por Cristo utilizavam estilos musicais que não haviam nascido nos arraiais do evangelicalismo brasileiro. A bossa nova e o samba-canção escandalizaram muitos crentes de diversas partes do país, os quais se manifestaram através de cartas de protesto e acusações de mundanização através da música. Mais tarde, o disco caiu no uso popular cristão e até hoje é lembrado e cantado não somente pelos que eram jovens na década de 1970, mas também pelos que receberam essas músicas como herança dos pais.

A partir de então, novos compositores surgiram por todo cenário nacional: Nelson Bomilcar, João Alexandre, Jorge Rehder, Jorge Camargo, Lamartine Posella, Asaph Borba, Edilson Botelho, Stênio Marcius, Adhemar de Campos, Jairinho, Paulo César, Carlos Sider e muitos outros. Com o aumento do número de produções musicais fonográficas provenientes de igrejas, comunidades evangélicas e novos grupos musicais (Comunidade da Graça, Igreja Batista do Morumbi, Comunidade de Nilópolis, Goiânia, Ministério Life, Grupo Logos, Igreja Bíblica da Paz, Ministério Diante do Trono e, recentemente, Igrejas Vineyard, por exemplo), um crescente número de músicas populares cristãs tem sido oferecido para uso da igreja brasileira. Muitas dessas músicas são traduções do inglês provenientes de grupos como Maranatha Music, Hosana Music, e de vários cantores e compositores estrangeiros, como David Quinlan, Bob Fitts, Michael W. Smith, Steve Curtis Chapman e Ron Kenoly. Fato é que centenas, senão milhares de músicas são disponibilizadas a cada ano. A tendência é que esta abundância de repertório moderno devore as antigas opções, geralmente mais ricas poeticamente e mais profundas teologicamente. A popularização das cifras musicais ainda influencia no crescente abandono do repertório mais antigo, também mais erudito e que requer conhecimento teórico musical para ser executado corretamente.

À medida que os cânticos mais populares se espalharam pelo país e passaram a com-por o culto, a liturgia evangélica brasileira passou a carecer de uma definição: qual o lugar dos hinos mais eruditos e dos cânticos mais populares?

Não cabe, obviamente julgar entre um e outro qual o melhor e mais apropriado, ape-nas partindo da designação “hino” e “cântico”. Essa designação não qualifica a música como boa ou ruim. Talvez seja interessante antes de continuar, definir melhor qual a diferença entre hino e cântico. A diferença não está no nível de complexidade, na polifonia ou no estilo, mas na permanência na hinódia. Os hinos de hoje eram os cânticos de antigamente. Meu professor de Teologia do Culto, Rev. Fôlton Nogueira da Silva, certa vez sugeriu a criação de um “semi-hinário”, uma pasta com canções populares que seria manipulada mediante a retirada ou inclusão de músicas conforme a relevância e uso. As que permanecessem por mais de 20 anos receberiam o status de “hino”. Então o melhor critério para se exercer discernimento apropriado entre música boa e música ruim não é a classificação como hino ou cântico, mas a boa relação entre impressão e expressão. A impressão é o sentimento que a música transmite, a idéia que ela passa e como ela prepara o ambiente. Isso só o instrumental já faz. A expressão tem a ver com a mensagem que a letra da música transmite ou o texto que ela subsidia. A música boa é aquela que tem estilo apropriado a cada ambiente ou ocasião (boa impressão) e que comunica a verdade da Palavra de Deus (boa expressão). Note que esta regra se aplica a todas as músicas em geral, mesmo as que não foram compostas por cristãos. Como não podemos julgar se a música é boa ou ruim pela índole do compositor, mesmo porque não podemos acessar seu coração, o critério justo e seguro é usar o crivo da Palavra de Deus. Assim, o cristão deveria se ocupar em ouvir, não necessariamente apenas músicas compostas por crentes, mas a música boa, independentemente de ser cantada ou executada por um cristão (Fp 4.8; Tt 1.12). Afinal, toda verdade é de Deus, como disse João Calvino, o reformador de Genebra.

Se não há necessidade de preferência de um em detrimento do outro, então o melhor a fazer é simplesmente distribuir um e outro na liturgia pelo critério da função no momento litúrgico. Mais especificamente, seria assim: como o cântico “Enquanto eu Calei” (Salmo 32) é apropriado para o momento de contrição, então deve ser usado assim como o hino “Necessidade” (68 do HNC), por exemplo, indistintamente. Assim, o culto se torna mais uniforme tematicamente e subserviente à pregação da Palavra de Deus. Mas, e o “período de louvor”? Este momento, quando distinto no culto, é estranho, pois sugere uma liturgia dentro da outra. Ainda mais quando o líder inicia o momento com o tradicional “boa noite” ou “bom dia, irmãos”. Ali começou uma nova celebração. A ordem do culto perde o sentido porque num único momento do culto, músicas de louvor, contrição, dedicação pessoal e declaração de fé se entrelaçam sem qualquer lógica. Além disso, quando se pratica o “período de louvor”, o critério para a escolha das músicas geralmente é o longo tempo sem a música ser cantada ou então, a variedade estilística. “Vamos começar com uma animada, depois passamos para essa mais lenta”. Percebeu como esse critério empobrece o culto e o torna menos compreensível?

A adoção deste princípio de indistinção entre hinos e cânticos oferece muitas vanta-gens: força os ministros a pensarem mais sobre o conteúdo das músicas do culto; torna o culto mais inteligível; cessa a contenda sobre a preferência por um por outro; torna o culto mais racional, porém vibrante e fervoroso; favorece a submissão dos musicistas; prepara os ouvintes para a mensagem. No entanto, para que esta medida seja adotada, alguns cuidados devem ser observados. Os músicos não podem ficar muito distantes do local onde tocam seus instrumentos. A lacuna de tempo entre o anúncio do cântico e a execução deste, até que todos empunhem seus instrumentos, é indesejável. É positivo que os músicos tenham lugar fixo, como o coral da igreja. Também o pequeno sermão antes de cada cântico ou hino se torna dispensável. Se houver necessidade de algum comentário, o próprio pastor da igreja ou auxiliar litúrgico o poderá fazer de modo apropriado. Também esta medida exige melhor comunicação entre o pastor e os músicos. Os cânticos e hinos devem ser previamente escolhidos conforme o tema do culto, a mensagem e o momento litúrgico.

Para encerrar, posto aqui uma sugestão de ordem litúrgica conforme foi praticada em minha igreja recentemente.

• Cântico: “Majestade, Poderoso Tu És”
• Leitura Bíblica: Romanos 1.16,17
• Cântico: Hino 304 – “A Voz do Evangelho”
• Oração
• Leitura Bíblica: 2 Coríntios 5.18 – 6.3
• Cântico: Hino 71 – “Perdão, Senhor”
• Oração de Contrição
• Cântico: “Louvemos”
• Leitura Bíblica: Salmo 24.1
• Cântico: Hino 225 (Devolução dos Dízimos e Ofertas)
• Oração Diaconal
• Mensagem: Efésios 6.15
• Ceia do Senhor
• Cântico: “Jesus Riscou a Cédula”
• Oração Final
• Bênção Apostólica

Rev. Charles Melo de Oliveira

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23 junho 2010

Desisto de Buscar uma Identidade!

Recentemente ouvi que o evangelicalismo brasileiro precisa de identidades que caracterizem os diversos modos de agir e pensar. Tão logo ouvi isso, passei a tentar encontrar minha identidade como evangélico brasileiro.

De cara percebi que o termo "evangélico" carece de uma identificação mais específica, porque tanto pode significar "membro de uma igreja evangélica histórica" como "participante de movimento evangélico pentecostal". De repente, me lembrei que existem os neopentecostais, que também são tidos como evangélicos, embora não precise ir pelo caminho do pentecostalismo ou do neopentecostalismo, porque me considero histórico. Mas o crente membro de uma igreja histórica tem de ser pentecostal, porque a igreja recebeu a dynamis do Espírito Santo para testemunhar no dia de Pentecostes, conforme Lucas narra em Atos 2.1-4. Então posso dizer que sou um evangélico histórico pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo, e não no sentido eclesiológico contemporâneo assumido após o "avivamento da Rua Azuza" em 1906 em Los Angeles.

Acho que consegui sair do marco zero nessa caminhada rumo à busca da minha identidade, mas ainda há algo nela que não está claro. Eu sou um evangélico histórico pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo, mas o evangelicalismo histórico possui várias vertentes que certamente causariam alguma confusão se parasse por aí. No que diz respeito à minha posição soteriológica, alguém não saberia dizer se sou arminiano, pelagiano ou calvinista (reformado), se eu simplesmente dissesse que sou evangélico histórico pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo. Se o arminianismo crê na graça preveniente que capacita o homem a naturalmente crer em Cristo, dependendo de sua vontade, então certamente não sou arminiano. Por outro lado, também não sou pelagiano, porque não creio que o homem nasce neutro e em algum momento de sua existência escolhe o pecado. Sou um calvinista, porque parto do pressuposto de que Deus, como soberano absoluto sobre todas as coisas, decretou tudo o que acontece preordenando todos os eventos da história conforme o conselho da sua vontade, para o louvor de sua glória, evidenciando sua bondade e amor nos escolhendo antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis.

Acho que consegui andar mais uma milha nesta busca pela minha identidade de evangélico brasileiro. Sou evangélico histórico calvinista pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo. Mas espere um pouco. O termo "calvinista" não diz muita coisa. Um calvinista pode ser aliancista ou dispensacionalista. Deixe-me ver: um dispensacionalista promoveria uma dicotomia entre a igreja do NT e Israel. Israel é Israel; igreja é igreja. Além do mais, um dispensacionalista defenderia uma divisão da história da revelação em sete dispensações. Mas a Bíblia mesma se auto-estrutura em alianças, sendo que elas constituem uma e a mesma aliança, que é um pacto, um laço de vida e amor soberanamente administrado, que apenas é renovado e continuado ao longo da história da redenção. Se esta é visão aliancista, então me enquadro nela acrescentando-a à minha identidade de evangélico brasileiro. Portanto, sou evangélico histórico calvinista aliancista pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.

Acabo de trazer à memória que o termo aliancista não resolve muita coisa. É possível que alguém não esteja certo se sou aliancista, porém pré-milenista quanto à compreensão escatológica. Além disso, é possível alguém ainda ser pós-milenista ou amilenista dentro da mesma visão da Bíblia como estruturada em alianças. Vamos à luta novamente. Se eu disser que sou pré-milenista, precisa ficar claro se sou histórico ou dispensacionalista. Como já sei que não posso ser identificado como dispensacionalista, por causa do arrazoado anterior, então eu poderia ser pré-milenista histórico. Espere um pouco: o pré-milenismo defende que Jesus voltará para reinar durante 1000 anos literais para então depois inaugurar o Novo Céu e a Nova Terra após o Juízo Final. Mas por que Jesus teria de reinar por 1000 anos aqui neste mundo se ele mesmo afirmou que seu reino não era daqui? Acho que não posso caminhar lado a lado com os pré-milenistas históricos. Só me restou agora o pós-milenismo e o amilenismo. Ouvi dizer que os pós-milenistas se dividem em preteristas e futuristas. Os preteristas são aqueles que acreditam que o sermão profético de Jesus em Mateus 24 se cumpriu em parte ou no todo no ano 70 d.C., com a destruição do templo. Mas admitir que sou preterista não resolve o problema da minha identidade. Os preteristas, por sua vez, podem ser classificados como moderados e radicais. Os moderados crêem que algumas profecias se cumpriram no ano 70, como a Grande Tribulação e as "guerras e rumores de guerras". Outras profecias, como a da ressurreição de justos e injustos e o Novo Céu e a Nova Terra ainda não. Já os radicais afirmariam, com base em Mateus 24.34, que o sermão escatológico de Cristo se cumpriu cabalmente no ano 70 d.C.. Mas e a ressurreição dos justos e injustos? Definitivamente, não sou preterista radical. Mas o problema da minha identidade ainda carece de maiores esclarecimentos, afinal, ainda posso ser identificado com um preterista moderado. Nesse caso, recorrendo ao Apocalipse de João, vejo acontecimentos preditos no sermão escatológico como ainda futuros. Levando-se em consideração que o livro de Apocalipse foi escrito na década de 90 d.C. até o ano 100, aproximadamente, então estou propenso a ser futurista mesmo. Então resta a dúvida: sou pós-milenista futurista ou amilenista? Se eu disser que sou pós-milenista, então terei de compreender que haverá um período de paz e segurança por um período longo e indefinido anterior à volta de Cristo, que seria o período da reinado milenar de Cristo. Mas a Escritura afirma que Jesus está assentado à destra da majestade nas alturas, o que lhe confere posição de realeza, e que toda autoridade no céu e na terra lhe foram dadas. Jesus já reina e seu reino somente crescerá; jamais terá fim, conforme profetizado por Daniel. Se creio que Jesus reina desde sua exaltação após a ressurreição, então sou amilenista. Mas que termo infeliz, "amilenista"! Parece que não creio no milênio! Mas creio sim; é bíblico. Mas que termo poderia usar? "Milenista não-literalista pré-tribulacionaista"? Prefiro o "amilenista" mesmo, embora não seja o melhor. Então descobri agora que sou evangélico histórico calvinista aliancista amilenista pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.

Ainda há uma questão que precisa ser respondida para que eu seja corretamente identificado como evangélico brasileiro. É que ainda não ficou claro se sou de uma linha liberal, moderada ou fundamentalista. Vejamos, um liberal prefere crer naquilo que é experimental e natural, excluindo-se o sobrenatural. Além disso, um liberal diria que a Bíblia contém a Palavra de Deus e, por esta razão, é necessário que se descubra por meio da alta crítica o que os autores realmente disseram a fim de pôr-se de lado o que é registro das fábulas, lendas e crendices da igreja e do povo de Israel. Não creio nisso. Ao contrário, creio que a Bíblia é inspirada por Deus, infalível e inerrante, "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos falaram da parte de Deus movidos (literalmente, "carregados") pelo Espírito Santo" (2Pe 1.21). Os moderados, ao lerem isso, diriam que sou fundamentalista. Os liberais acrescentariam (ainda que com impropriedade semântica e etimológica) "xiita". Quanto aos moderados, bem, só eles mesmos acham que são moderados, quando pendem mesmo é para o liberalismo ou néo-liberalismo. Então sou evangélico histórico calvinista aliancista amilenista fundamentalista (xiita para os liberais) pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.

Estou começando a ficar preocupado com esta jornada em busca da minha identidade. Onde isso vai parar? Ainda mais quando me lembro que preciso definir meu perfil como adorador. Sabemos que o evangelicalismo vem admitindo práticas da maior diversidade no culto público. Se o adorador sente-se à vontade diante de uma apresentação coreográfica depois de 1 hora e meia de cânticos de guerra e de mensagens de auto-ajuda, então ele pode ser chamado de "aberto liturgicamente". Mas se ele adorar a Deus priorizando a reverência e santo temor, esforçando-se por prestar-lhe culto racional centralizado na mediação de Cristo e em sua Palavra, buscando a ordem e a decência, não admitindo as manifestações físicas exteriores destinadas ao entretenimento do adorador, então será chamado de conservador ou tradicional. Agora tenho uma noção melhor de quem sou como evangélico brasileiro: evangélico histórico calvinista aliancista amilenista fundamentalista (xiita para os liberais) conservador pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.

E quanto ao sistema de governo eclesiástico? Ainda não está claro se sou darbista (que não concebe a idéia de ministério pastoral); se sou congregacional, que prefere que o governo seja exercido pela assembléia dos membros da igreja; se sou episcopal, com governo centralizado em indivíduos postos hierarquicamente; ou finalmente se sou presbiteriano, cujo governo é conciliar exercido por presbíteros. Isso sem falar dos atuais sistemas que surgem a cada novo líder carismático, como "igreja em células", "ministérios", projetos "desperta isso", "desperta aquilo", "levitas aquilo outro". Não quero complicar. Sou presbiteriano convicto porque em Atos 15 a igreja se reuniu de forma conciliar com presbíteros representantes das igrejas e os apóstolos, tomaram uma decisão e a baixaram às igrejas locais que acataram reconhecendo a autoridade do sistema. Além disso, Paulo disse a Timóteo que ele recebera autoridade mediante imposição das mãos do presbitério. Agora estou ficando atordoado, pois descobri que sou evangélico histórico calvinista aliancista presbiteriano amilenista fundamentalista (xiita para os liberais) conservador pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.


Mas a pressão da atualidade me impõe a obrigação de me posicionar diante da teologia relacional. Esta concebe um deus (a letra minúscula é proposital) que não conhece o futuro, não pode alterá-lo nem mexer na vontade humana. Um deus menos deus e mais humano; menos perfeito e mais limitado; menos soberano e mais dependente das ações das criaturas. Não posso concordar com tal posicionamento. Mas há outras alternativas: posso ser panteísta, se eu enfatizar a imanência de Deus a despeito de sua transcendência. Posso também ser deísta, se eu me concentrar apenas na transcendência de Deus em prejuízo de sua imanência. De fato, o meu Deus é transcendente, porque escapa ao meu frágil entender; afinal, ele é o Alto, o Sublime, que habita no alto céu, mas também é aquele que habita com o abatido e contrito. Creio que Deus governa todas as coisas em sua providência de forma a compatibilizar sua soberania com a responsabilidade humana. Portanto, sou teísta, mas para me distinguir do teísmo aberto, eu deveria ser identificado como evangélico histórico calvinista aliancista presbiteriano teísta fechado compatibilista fundamentalista (xiita para os liberais) conservador pentecostal no sentido histórico-redentivo do termo.

Ainda há muito para percorrer nesta jornada. Não está claro se sou cessacionista, contemporalista, puritano, menonita, confessionalista, culturalista, autoctonista, socialista, sócio-democraticista, teocraticista, chauvinista, adocionista, legalista, antinomista, transubstancionista, memorialista, tradicionalista, hipercalvinista, anabatista, imersionista, aspercionista, pedobatista, pedoeucaristista, osculista, lavapecionista e quantos "istas" você puder listar a partir do evangelicalismo brasileiro.

Enfim, desisto de esgotar a jornada pela afirmação de minha identidade de evangélico brasileiro. Agora estou pasmado diante de tantos predicados classificatórios e qualificantes de minha identidade evangelical necessários para uma boa compreensão de que tipo de crente eu sou. Bem que tudo poderia ter sido mais fácil se minha identificação com Cristo (porque ele é meu irmão primogênito com quem devo ser parecido) ficasse claramente evidente somente com a designação "cristão"!

Rev. Charles Melo de Oliveira

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22 junho 2010

Incoerência na Mídia

No dia 28 de dezembro de 1992 o Brasil ficou chocado pela notícia do assassinato da atriz Daniella Perez, filha da autora de novelas Glória Perez. Este fato provocou até mesmo uma mudança no Código Penal Brasileiro, incluindo homicídio qualificado na lista dos crimes hediondos. O assassinato de Daniella Perez foi um misto de ciúmes, desconfiança, rumores de traição, casamentos desequilibrados, ódio, mentiras, violência e morte.

Curiosamente, as novelas da Glória Perez sempre combinam todos esses temas, somando-se ainda a defesa do homossexualismo. Que incoerência! A televisão propaga justamente o que provocou a morte de sua filha. E esses temas chamativos são responsáveis pela grande audiência e enormes cifras com mechandising, publicidade e propaganda. Na verdade, o que a mídia tem feito é estimular essas coisas: o divórcio, a traição, o desrespeito aos pais, o sexo livre e irresponsável fora do casamento, a violência verbal e física e o apego ao dinheiro (materialismo). Esses dias a Havaianas colocou no ar um comercial onde uma senhora idosa diz para a neta que ela deveria fazer sexo com outro rapaz, só pelo sexo. A imoralidade veiculada na mídia tem destruído os valores da família tais como: fidelidade conjugal, respeito pelos pais, carinho pelos filhos, educação, domínio próprio, humildade, amor e dignidade.

Agora, querem saber de quem é a culpa? Primeiro, dos autores de novelas. Esses dias, um autor de novelas famoso disse em entrevista que ele possui um caderno, que ele chama de “lixo”, onde registra tudo quanto é atrocidade e casos absurdos sobre o tema família. Depois afirmou que é lá que ele se inspira para criar suas estórias. E assim, a cada ano somos bombardeados com idéias que destroem os valores da família estabelecidos por Deus em sua Palavra (Êx 20.12; Ef 5.22-33; 6.1-4). Os outros culpados somos nós! É isso mesmo; os telespectadores são culpados porque insistem em ligar a televisão nessas novelas cheias de impureza e futilidades. Os autores só propõem essas histórias porque isso dá Ibope. Essas histórias continuam sendo veiculadas porque existe quem as assista. Se nós optássemos por não assistir essas novelas que ajudam a destruir nossas famílias, a baixa audiência forçaria a uma reflexão por parte dos chefes televisivos. Também nossas famílias deixariam de ser estimuladas à prática do divórcio, da grosseria, da corrupção, da traição e adultério, do amor ao dinheiro, do egoísmo e do homossexualismo.

Enquanto o querido leitor pensa se sou radical ou não com esse discurso, observe como anda a sua família. Observe se seus filhos são respeitáveis e responsáveis; se trabalham ou estudam buscando se firmar no mercado de trabalho; se eles têm objetivos claros e saudáveis para sua vida; se os casamentos hoje em dia são estáveis; se as pessoas de seu lar se preocupam em demonstrar amor pelo próximo ou se é cada um por si. Ainda há esperança. Cristo é a esperança. Ele pode restaurar um lar destruído, uma vida quebrada, porque ele tem poder. Ele venceu o pecado e a morte mediante sua morte na cruz e sua ressurreição. Seja servo de Jesus e obedeça às suas ordens expressas na Bíblia. Quer saber como evitar que a TV destrua sua família? Não busque sugestões nela; leia a Bíblia. Ela, sim, ensina os filhos a respeitarem seus pais, a esposa a amar ao marido, o marido ser fiel à esposa. Ela sim é coerente e ensina a como ter um lar feliz.

Rev. Charles Melo de Oliveira

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