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11 outubro 2010

Análise da Música "Deus de Promessas"

Em 2007 ou 2008 tive a alegria de ouvir pela primeira vez a música "Deus de Promessas" do Ministério Toque no Altar. Achei a música muito bonita, mas, como sou pastor presbiteriano, subscrevente à Confissão de Fé de Westminster, não posso cantar ou ensinar uma música sem analisar a sua letra. Tenho duas considerações sobre o conteúdo da letra.
Antes de mais nada, quero fazer uma consideração sobre a "Liberdade Poética". Esta liberdade tem sido alvo de apelos quando algo da letra é questionado. Veja bem, a liberdade poética sugere que o poeta é livre para não seguir determinadas regras gramaticais. É o caso da música que diz: "inútel, a gente somos inútel", do Roger (Ultraje a Rigor). No entanto, existem limites entre a liberdade e a coerência. Posso ser livre para escrever o que eu quiser, mas precisa ter coerência ou fazer algum sentido. Recomendo a  leitura do excelente texto publicado no site Overmundo, sobre a falácia da liberdade poética:


http://www.overmundo.com.br/banco/liberdade-poetica-ou-falacia


Voltando ao ponto, quando escrevemos poemas sobre o conteúdo bíblico, a liberdade poética se torna serva da Escritura Sagrada. Então podemos escrever com liberdade para nos expressar com os recursos da poética da língua portuguesa, mas com submissão total às Escrituras Sagradas. No caso da música "Deus de Promessas", eu faria duas considerações sobre a letra, que penso não estar de conformidade com o ensino da Bíblia.
1. "És Deus de perto e não de longe": A frase dos autores pretende enfatizar o fato de que Deus está sempre perto. No entanto, a liberdade poética não nos dá liberdade para desdizer a Bíblia. O problema dessa frase é que o texto de Jeremias 23.23 diz: "Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe?" Tendo em vista este problema, mandei um e-mail aos compositores e pedi autorização apra cantar "És Deus de perto e Deus de longe". Eles não responderam. Como "quem cala, consente", mudamos a letra e cantamos com a alteração feita.
2. "Meus olhos vão ver o impossível acontecer": Bom, depende de muitas coisas. O que eles querem dizer com isso? Levando em consideração a linha do ministério Toque no Altar (o próprio nome já indica no mínimo flerte com os movimentos de ressurreição das sombras do AT, "Levitas", "shofar", etc.), a idéia é de que milagres vão acontecer. O que é um milagre? É a ação imediata de Deus, ou providência especial ou imediata. Deus não usa de meios para realizar certas obras, dependendo exclusivamente de seu querer. Esse é o problema. Quem garante que Deus quer que os meus olhos vejam o impossível acontecer? Outra coisa, hoje em dia não é seguro o caminho que vai à busca de milagres, sinais e maravilhas. Muitos falsos mestres tentam confirmar seu ensino herético por meio de sinais e maravilhas. Alguns textos bíblicos mostram que milagres podem ocorrer segundo a eficácia de Satanás. Inclusive, é dito nas Escrituras que sinais portentosos ocorreriam nos últimos dias para seduzir as nações atrás da Besta (Ap 13). 
Não pretendo agir como cético e dizer que milagres não acontecem. Eu já vi muitos acontecerem. Creio em milagres da parte de Deus. Só não firmo a minha fé nisso, porque fé que depende de experiências para ser confirmada não é fé. É incredulidade. Tomé foi censurado pelo Senhor Jesus porque só creu quando viu. "Bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20.29). Então cante sabendo que os seus olhos somente verão o impossível acontecer se o Senhor quiser.
Que esta postagem nos estimule a pensar no que cantamos. Se você é um crente confessional (se você subscreve a uma confissão de fé, a de Westminster, por exemplo, como eu), então sua responsabilidade aumenta ainda mais. Temos de ser coerentes e cantar o que cremos.


Pr. Charles

7 comentários:

Lígia 12 de outubro de 2010 06:47  

Muito bom, pastor! É muito bom saber que o líder do Senhor sobre a minha Igreja e a minha vida tem esse cuidado! Sempre ensinei sobre a necessidade de provar pela Bíblia tudo o que cantamos na igreja. Concordo com a existência da liberdade poética nos termos que o senhor argumentou, e quando se trata de música de louvor ao Senhor é preciso ter o cuidado de agradá-lo. É, de fato, uma bela canção, que toca e emociona. Mas o correto é que o que cantemos seja a expressão sincera de um coração que quer agradar a Deus. Não há como agradar a Deus criando "novas verdades", indo além da Bíblia. Portanto, concordo com tudo o que o senhor escreveu. Grande abraço!!!

Charles Oliveira 12 de outubro de 2010 12:14  

Lígia,

Este é apenas o primeiro ensaio. Espero analisar ainda outras canções e fornecer fonte para pesquisas neste sentido para as igrejas. A próxima da lista é "Como Zaqueu".

Abraço!
Pr. Charles

Milton Jr. 13 de outubro de 2010 05:32  

Charles,
Muito boa a sua avaliação. Temos sofrido bastante com a falta de zelo naquilo que cantamos. Na verdade, parece que o crivo usado para a escolha das músicas não é a coerência teológica, mas aquilo que se gosta ou não, incluindo os ritmos.
Muitos têm "oferecido" a Deus aquilo que eles mesmos gostariam de ganhar...

grande abraço.

Ligian 13 de outubro de 2010 05:57  

Olha, você bem sabe o quanto bato na mesma tecla a respeito disso!! Tenho a impressão de que tem sido difícil para os participantes das equipes de louvor nas igrejas identificar tais problemas porque, no geral (não gosto de generalizações, mas nesse caso não tive como escapar), estão mais preocupados com o ritmo, com o fato de ser ou não emocionante e etc...

Charles Oliveira 14 de outubro de 2010 07:45  

Milton,

Muito interessante a sua frase: "muitos têm oferecido a Deus o que gostariam de ganhar". Esse é o problema; quando o desejo de entretenimento e satisfação própria ganha a prioridade. Agostinho disse que quando a música o sensibilizava mais que as letras que eram cantadas, que confessava com dor que pecara.

Abraço!

Charles Oliveira 14 de outubro de 2010 07:46  

Ligian,

É por isso que defendo que quem quer tocar na igreja, que seja aluno assíduo da Escola Dominical e que conheça a doutrina bíblica.

Beijo!

Roberto Gonçalves 1 de fevereiro de 2013 04:50  

Oi Pastor. Paz! Sou líder do departamento de música da IPB de Aracruz. Tenho bebido das fontes de VPC também rs Veja meus trabalhos http://www.veroshop.com.br/produtos/roberto-goncalves/

Parabéns pela sabedoria ao expor o tema, e pelo respeito aos compositores. Deus o abençoe e parabéns pelo CD Belo Horizonte. A propósito, como posso adquirir??

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